Quero tudo

Heróis à chuva
fantasmas de Alice
somos de uva
mas que grande chatice
amo o “Kleenex”
amo o “Kleenex”
sou tudo hoje
sou tudo hoje
que quero, ah...
que quero, há?!

Não pedi p’ra nascer
nem agora nem nunca
e se já estou aos 20
sem vontade nem futuro
oh, não

Rasga a camisa
chateia toda a gente
rasga a camisa
chateia toda a gente
bebo até cair
bebo até cair
há tanto que afogar
há tanto que afogar
amas-me agora?

Heróis à chuva
fantasmas de Alice
somos de uva
mas que grande chatice
amo o “ Kleenex”
bebo até cair
há tanto que afogar
e eu não sei fugir
que quero, ah...
que quero, há?!

                                                         (Oscar)
  Eu não sei

Sou perseguido pela Brigada T
tenho amigos modelo 38
e só eu sei o que vou fazer
porque na rua estou só
puxa-me o braço se me queres falar
que eu tenho nos ouvidos um som nuclear
cola-te a mim, cola-te a mim
em que é que tu queres acreditar?
eu não sei
eu não sei
eu não sei

Vais denunciar-me, mas pensas que durmo
vais suicidar-me numa prisão
é isto que vais fazer
submisso!
não vou deixar nenhum símbolo de pé
ficar em terra de sorriso às escuras
quando eu te der um tiro a doer
será que tens tempo para perceber?
eu não sei
eu não sei
eu não sei

Noites à balda em tons de celulóide
chegou ao rádio um canto humanóide
cheguei ao rádio com um canto humanóide
e agora?
eu não sei
eu não sei
eu não sei

                                                         (Oscar)
       
  Dedicada (a quem nos rouba)

Vai, vai-te embora vai
deixa de te armar
come a terra que um dia te há-de tapar

Diz, diz o que quiseres
ladra se puderes
que um dia há-de vir em que nem hás-de falar

Trinca, trinca ainda o pão
não terás perdão
por toda a miséria que me fazes passar

Morre, morre se puderes
que eu não te deixarei
se um dia vier em que em ti possa mandar

De quem nos rouba
a quem nos rouba
p’ra quem nos rouba
morre, morre se puderes
morres, se um dia vier

Morre, morre se puderes
que eu não te deixarei
se um dia vier em que em ti possa mandar

                                                       (Alfredo)
  Há que violentar o sistema

Puxa p’la pinha
e adivinha
qual é a coisa
qual
que sendo velha
como o cagar
é nova
ou está por inventar
pior que boa
melhor que mal
e que de tanto mudar
continua igual

A coisa
é peta por cheta
é cheta por peta
é virgem
puta
é treta
a coisa
são coisas e loisas
são loisas e coisas
a coisa é o sistema
e por isso...

Há que violentar o sistema
Há que violentar o sistema
Há que violentar o sistema

                                                          (Serra)